CONTRADITAS

A contradita das testemunhas é recurso utilizado de forma muitas vezes incorreto nas audiências. Ou são prematuras ou são tardias. Quando prematuras, menos pior, pois trata-se apenas de açodamento do causídico, que desde logo quer marcar a sua posição, mas quando são tardias, são problemáticas, uma vez que não podem ser conhecidas.
O momento adequado para contraditar a testemunha é aquele que sucede a sua qualificação e a resposta ao juiz à pergunta que lhe é feita sobre suas relações pessoais com as partes (parentesco, amizade íntima ou inimizade) ou interesse na causa e o que antecede o compromisso legal. Após a testemunha responder que não tem interesse na causa e que nenhuma relação tem com as partes, deve o advogado imediatamente contraditá-la. Se o fizer antes, impede que a testemunha, espontaneamente, reconheça a existência do motivo da contradita, logo, é de técnica inadequada. Agora, se o fizer depois que o juiz tomar o compromisso legal da testemunha, perdeu irremediavelmente a oportunidade de contraditá-la eficazmente. Essa contradita sequer pode ser conhecida pelo magistrado, por sua extemporaneidade.
Nesse último caso, é comum também que o advogado tente, de alguma maneira, formular perguntas, ao final, que impliquem em contradita mascarada, e deve o juiz estar atento para não reabrir a matéria sobre a qual não cabe mais discussão, indeferindo as perguntas com esse propósito.
Portanto, é após a negativa da testemunha sobre parentesco, amizade ou inimizade ou interesse na causa, o momento exato para a formulação da contradita. O nome contradita decorre justamente da oposição ao dito pela testemunha, é um contradizê-la. Se permite que o compromisso legal seja tomado, consentiu, ou seja, como diz o rifão, quem cala consente.