UMA TORRENTE DE INFORMAÇÕES

Afinal, o que é informação? No sentido moderno é a comunicação trazida ao conhecimento de alguém ou do público e nesse sentido, estamos inundados de comunicações diariamente, mas etimologicamente informação vem do latim e significava ação de formar, de fazer, fabricação, na acepção de substantivo informationis e era adequado dizer-se diabólica informationis, àquela que era produzida pelo diabo. Na sua forma verbal informare tinha o significado de educar, instruir, ensinar. E notitia significa notoriedade, a qualidade daquilo que é conhecido. Partindo dessas definições, é forçoso concluir que tanto as notícias quanto as informações tinham um significado que a imprensa moderna destruiu completamente, o que nos levaria à questão de definir a imprensa, todavia é suficiente ficar com o seu alimento. O sentido de fabricar é inteiramente oposto ao de educar e instruir e quem assiste noticiários na televisão, se estiver atento, perceberá as diferenças. A verdade é que diariamente as informações que são trazidas ao público não atendem a nenhum dos propósitos que a etimologia recomenda. São informações fúteis, banais, irrelevantes e que tem apenas o propósito de ocupar um determinado espaço de tempo financiado pelos patrocinadores e para manter a programação dentro do horário. Concomitantemente a isso são parciais, incompletas, mal interpretadas e muitas vezes mal intencionadas, enfim desmerecedoras de crédito. No contexto da má qualidade da informação, está o fato fundamental de que as notícias não ocorrem a todo momento, pelo menos se tivermos em conta o seu significado de instruir e educar, mas as informações entendidas como fabricação, como diabolica informationis podem ser geradas incessantemente pelas redações dos jornais e telejornais. Um exemplo particularmente significativo se dá quando acontecem tragédias naturais de forte apelo emocional, como é o caso das enchentes, que ocupam quase que inteiramente os noticiários. Pois bem, e se não tivessem havido essas enchentes, quais seriam as notícias? Haveria, de fato, outras notícias, no sentido de instruir, educar, ou apenas as fabricadas com o único propósito de cumprir contratos de patrocínio? Há um lugar comum na imprensa que bem reflete essa moralidade dos noticiários, é a expressão “sair atrás da notícia”, quer dizer, sair atrás de qualquer coisa que possa ser utilizada em um noticiário com a função informativa. Fabricar notícias, entretanto, dá trabalho e exige talento e é por essa razão que um número cada vez maior de jornais dá prioridade aos colunistas de notas, que não se ocupam de informar e sim de exercerem o seu ofício de murmuradores, sem qualquer compromisso com  a função instrutiva da informação, dedicando-se exclusivamente à triste tarefa da fabricação, da diabolica informationis. Mesmo nos jornais de respeitabilidade nacional, as questões políticas são tratadas a conta-gotas e os chamados articulistas não conseguem se livrar da redundância, da repetição, da monotonia, principalmente os analistas econômicos, que se esforçam em meras variações sobre um mesmo tema, estendendo por vários dias aquilo que poderia ter sido dito em apenas um. Não me recordo agora quem certa vez disse que um jornal só deveria ser impresso quando houvesse realmente coisas importantes a informar, talvez tenha sido o escritor Ambrose Bierce, ou menos provavelmente o jornalista H. L. Mencken. O fato é: sobreviveríamos sem essa torrente de notícias diárias a esta altura, em que até a mais completa irrelevância deve ser compartilhada instantaneamente?