TRÊS BREVES EXEMPLOS ACERCA DA VERDADE PROCESSUAL TIRADOS DA LITERATURA

A incerteza que caracteriza a prova testemunhal não diminui o seu valor, uma vez que o processo civil moderno é guiado pelos princípios da verossimilhança e plausibilidade. Abaixo, três considerações de romancistas acerca dessa questão tormentosa da verdade processual:

“Provas, disse eu, são sempre coisas relativas geralmente um avassalador equilíbrio de possibilidades que dependem de como se apresentam” (Raymond Chandler – Adeus Minha Adorada)
“O real é um caso excepcional do possível e, como tal, também pode ser concebido de outra maneira.” (Friedrich Durrenmatt – Justiça)
“Encontrei hoje em ruas, separadamente, dois amigos meus que se haviam zangado um com o outro. Cada um me contou a narrativa de por que se haviam zangado. Cada um me disse a verdade. Cada um me contou as suas razões. Ambos tinham razão. Não era que um via uma coisa e outro outra, ou que um via um lado das coisas e outro de um outro lado diferente. Não: cada um via as coisas exatamente como se haviam passado, cada um as via com um critério idêntico ao do outro, mas cada um via uma coisa diferente, e cada um, portanto, tinha razão. Fiquei confuso desta dupla existência da verdade.” (Fernando Pessoa)

Acrescento as palavras do historiados William Aydelotte: “A afirmação de que todos os juízos sejam inseguros não significa que sejam inseguros no mesmo grau.” E, também, a de Goethe: “Todo fato já é teoria.”, ambas pertinentes ao tema.