PEDIR, REQUERER, SUPLICAR, ROGAR, ETC.

Extraio do “DICCIONARIO DOS SYNÔNYMOS – Poetico e de Epithetos da Lingua Portugueza”, de J.-I. ROQUETE e JOSÉ DA FONSECA, Ed. J.-P. Aillaud, Guilard e Cia., Pariz, 1875, uma obra riquíssima sobre significados de inúmeras palavras, que se encontra à venda em vários sebos, a seguinte definição das expressões “pedir, orar, exorar, rogar, suplicar, implorar, obsecrar, demandar, requerer, exigir”, que fazem parte da rotina diária dos advogados e de outros profissionais ligados às coisas da Justiça:

“De todos estes vocábulos o mais genérico é “pedir”, porquanto não especifica nem a cousa que se pede, nem a pessoa a quem se pede, nem o modo como se pede. Pedimos justiça, ou uma graça; pedimos o que se nos deve, bem como o que desejamos obter por favor; pedimos a Deos, aos homens, em juízo, ou fora d’elle, de palavra ou por escrito, etc.
“Orar” é “pedir” a Deos, diz Vieira, isto é, fazer orações para que Deos nos ouça, e defira ao que lhe pedimos. “Exorar” é pedir com instancias, demover, dobrar com supplicas. “Rogar” é pedir por graça ou mercê. “Supplicar” é pedir com humildade e submissão. “Implorar” é pedir com rogos e lágrimas, quando nos vemos em aflições e trabalhos. “Obsecrar” é pedir humilde e affectuosamente por alguma cousa sagrada ou mui respeitável. “Demandar” é pedir em juízo, por e com direito, como disse Vieira: “Pedir a quem me deve mais é demandar que pedir (Sermão do Roz., I, 476).” “Requerer” é pedir ao magistrado ou fazer requerimento a autoridade superior, para que se nos defira o que é de justiça, se nos dê o que a lei nos concede, ou nos autoriza a pedir. “Exigir” é pedir com autoridade e instancia o que é devido – o soberano tem direito de exigir a obediencia de seus subditos. Grandes crimes exigem exemplares castigos.” (foi mantida a ortografia original da obra).

Por aí se vê a impropriedade do vocabulário de alguns juízes que costumam chamar os litigantes – ou melhor dizendo, os requerentes – de “suplicantes”. É afetação rebuscada da linguagem que procura alçar o destinatário da súplica a uma categoria mais alta do que a que realmente possui. Já “implorar” por um despacho que não sai há um ano é expressão bem pertinente.

Vê-se, também, que a expressão “dos pedidos e requerimentos”, que são lugar-comum em petições, não fazem muito sentido quando se lê os referidos tópicos.

Esse trecho me lembra que a expressão “ vem respeitosamente requerer”, não está bem, pois é de se supor que quem requer, o faz respeitosamente.