JOAQUIM BARBOSA NÃO É RESPONSÁVEL PELA VIDA DE JOSÉ GENOÍNO AO CUMPRIR A LEI

O presidente do PT responsabiliza o presidente do STF pela saúde e vida de José Genoíno, na abertura de congresso de seu partido. Vamos colocar os pingos nos iis: se José Genoíno fosse da oposição, Falcão estaria clamando pela sua imediata prisão, ante laudo médico pericial que conclui que a doença por ele sofrida não é grave. Estaria, mais do que isso, responsabilizando o min. Joaquim Barbosa pela desmoralização da justiça brasileira, que condena, mas não executa as penas que aplica. Qualquer pessoa com um mínimo de instrução pode compreender que a justiça não se pauta pelas paixões partidárias que beiram a irracionalidade; que idolatram réus condenados com todas as garantias do contraditório e que, por princípio, não podem admitir que seus próceres, apenas por terem um passado de lutas, não sejam imunes eles próprios às tentações da manipulação de recursos públicos em nome de um projeto de eternização de seu partido no poder. José Genoíno foi colocado em prisão domiciliar cautelarmente, em respeito ao seu preocupante estado de saúde. Com um laudo pericial que atesta que esse estado não é grave, não havia outra medida a adotar que não fosse o seu recolhimento à cadeia, como ocorre com todo preso no país. Aliás, esse tratamento especial deferido a Genoíno não é um padrão, na nossa tradição penitenciária, nem tampouco o tipo de prisão em que foi colocado para cumprir a sua pena. O min. Joaquim Barbosa transgrediria a lei se não determinasse a a volta de Genoíno ao cárcere. Ele não tem responsabilidade por nada, exceto por seu dever de cumprir a lei. A atitude do presidente do PT e de seus militantes é uma ofensa à democracia; transforma a magistratura nacional em refém dos interesses políticos de um partido que só admite os favores da lei, mas nunca os rigores da lei. José Genoíno deveria ter pensado nas consequências de seus atos antes de praticá-los. O fato de não ter obtido vantagem patrimonial pessoal em nada diminui a sua responsabilidade, pois ajudou a beneficiar diretamente o seu partido de forma criminosa. Pode ser um herói para o PT, mas foi declarado um criminoso e ponto final. Se o seu partido não vê isso, não pode mesmo ver que a Justiça age racionalmente. O condenado pode até ter morrer na prisão e Joaquim Barbosa não será responsável por isso. Ele não é médico, não é vidente, não usa o tarô e tampouco prevê o futuro nas entranhas de uma galinha. Valeu-se de um laudo médico oficial. Como todo magistrado, está aplicando ao réu todas as garantias e deveres da lei. Sua conduta estaria sendo elogiada e aplaudida pelo partido do preso, se este pertencesse à legenda de oposição. Essa é que é a pura e simples verdade.