O ELEITOR RENITENTE

O eleitor renitente

     Este caso aconteceu com um colega meu, há muito tempo. Corria o dia de uma eleição municipal numa comarca do interior, e o presidente da mesa receptora chamou o próximo eleitor da fila. O cidadão estava embriagado, mas dirigiu-se para a cabine de votação  assim mesmo. Estava naquele estágio em que se fosse chamado de bêbado negaria e faria um discurso. Depois de passado um tempo razoável, como o eleitor não saísse da cabine, o presidente da mesa foi até ele perguntar o que se passava. “O nome do meu candidato não está na relação para eu consultar.” “Mas como, essa relação foi impressa pela justiça eleitoral e está completa, meu senhor”, ponderou o presidente. “Não está, o nome do meu candidato não está na folha e desse jeito não voto enquanto não for corrigido”, retrucou o eleitor bêbado. Aí foi aquele Deus nos acuda dentro da sessão eleitoral, compara-se a relação de candidatos com outra, confere-se com a da sessão eleitoral vizinha, confere-se que não está faltando nenhum nome e tudo parecia correto. O eleitor, entretanto, não arredava pé e aí, o presidente da mesa não teve outra alternativa que não fosse chamar o juiz eleitoral.

     Chega o juiz, inteira-se do ocorrido e aproxima-se do eleitor, que continuava na frente da urna. “O senhor pode me dizer qual é o problema?”, perguntou. “Posso – respondeu o eleitor. O nome do meu candidato na está na folha, já disse!” “Então – disse o juiz – o senhor vai ter que dizer qual é o nome do seu candidato”. O bêbado arregalou os olhos e respondeu ofendido: “De jeito nenhum. O senhor não sabe que o voto é secreto?”.

  A história terminou na base do argumento da força e o eleitor acabou votando, secretamente, é claro.

     Fim de história.