O DESAFORO DO SENADO

A Presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministra Cármen Lúcia deveria retirar de pauta o processo em que a Rede pleiteia o afastamento de Renan Calheiros da presidência do Senado, que está marcado para amanhã.  É o que eu faria se estivesse no lugar dela, para colocar o pingo nos iis.  É um absurdo que a Mesa do Senado se recuse a curvar-se diante de uma decisão da mais alta corte de Justiça do País.

Já não basta o Senado conviver harmonicamente com um sujeito que é réu em processo criminal e ainda responde a 11 inquéritos que envolvem malversação de recursos públicos, um sujeito que tentou consolidar um golpe contra o combate à corrupção e que levantou o país em centenas de protestos.  Falta-lhe naturalmente o decoro. Nesse sentido, é um órgão indecoroso, como  a Câmara dos Deputados também demonstrou ser na semana passada.

A ministra não só deveria retirar de pauta o processo como deveria mandar o oficial de justiça acompanhado da polícia para cumprir à força a decisão do Supremo e prender quem a ela resista.

Somente depois de cumprida essa decisão é que o processo deveria retornar à pauta.

Se a presidente do Supremo não tomar uma decisão corajosa, vai desmoralizar o Tribunal e o Judiciário e passar a ideia de que as ordens judiciais não precisam ser cumpridas no Brasil.

Para essa desmoralização, já nos bastam as frequentes violações do art. 36, III, da LOMAN, protagonizadas pelo Ministro Gilmar Mendes.

Como diz o jornalista Mario Sabino, o Brasil é um país sem solução, porque o Brasil é interminável.