O PAPA JOÃO PAULO II E MEU PROFESSOR DE RESPONSABILIDADE CIVIL

     Tive um professor de Responsabilidade Civil de quem todos gostavam muito. Chamava-se Hélio Barreto dos Santos. Era gordo, fumava muito e gostava de fazer uma fezinha no bicho. Sua voz era semelhante a um trovão, rouca e grave, chegava a assustar. E era um exímio latinista, daqueles de corrigir padres e bispos nas missas. Certa ocasião (eu já havia me formado), um colega retardatário da faculdade (hoje deputado estadual) me contou que ele e um grupo de alunos estavam com o professor Hélio Barreto tomando cafezinho, quando alguém mencionou que o Papa João Paulo II, que viria ao Brasil, passaria em Porto Alegre. O professor, muito católico, disse que gostaria de fazer uma saudação para o papa e esse colega disse que topava viajar até o RS para ver o Pontífice. E assim, seguiram em viagem os dois, acompanhados de suas respectivas esposas. Chegando na cidade descobriram o melhor lugar para se posicionar junto ao cordão de isolamento.

     A certa altura, aponta o Papamóvel e o professor se alvoroça. O Papa vinha meio sonolento, fazendo aquelas bênçãos meio no automático quando o seu carro passou pelo professor. Ele se apruma e solta o seu trovão em uma longa e solene saudação latina, da qual meu colega só lembrou a primeira frase, mesmo porque não entendia bulhufas: “Ave, Papa Pavlis, Serenissima…”. O carro já tinha passado e o Papa levou um susto, virou a cabeça, se entortou todo e fez um enorme sinal da cruz virado para trás, em direção daquela santa fonte trovejante, e o professor Hélio Barreto aparou no peito todo orgulhoso.

     Fim da história.