O PROFESSOR RENÉ ARIEL DOTTI E A DIGNIDADE DA JUSTIÇA

René Dotti e a dignidade da Justiça.

 

     O professor René Ariel Dotti, hoje com 83 anos de idade, mostrou, no interrogatório de Lula, ter muito bons pulmões para gritar com o advogado de Lula, um oportunista de audiências, por la plata, siempre por la plata, ao protestar contra a forma infame de sua conduta naquele ato, interrompendo o juiz a todo instante e fazendo observações impertinentes, grosseiras e ofensivas. O professor já viu de tudo na vida e é uma raposa que sabe muito bem reconhecer um coelho sentado a sua frente. O que esse advogado faz nas audiências, ele e os outros defensores de Lula, não acontece em lugar nenhum do mundo. Esse pessoal está sendo pago para agir justamente daquela maneira. É estratégia de defesa que só surte efeito porque o juiz não pode exercer toda a sua autoridade naquele feito, sob pena de politizar ainda mais esse julgamento de um caso de bandidagem qualificada. O problema é que no processo penal isso gera uma série de desdobramentos que envolvem o direito de ampla defesa, etc., desdobramentos esses com os quais essas provocações contam. Lula não quer ser julgado, é muito simples e contratou gente especialista em chicana forense.

     Mas só do lado debaixo do Equador é que esse tipo de coisa acontece. No direito anglo-saxão ou euroupeu, os advogados de Lula já teriam sido multados tantas vezes por Contempt of Court (desrespeito à Corte) que teriam que pedir um reforço de honorários, ou seria mais adequado falar em reforço de propina?

O revogado Estatuto da OAB, a Lei 4.215/63, em seu art. 87, IX, dispunha o seguinte:

Art. 87 – São deveres do advogado:

 IX- Velar pela dignidade da magistratura, tratando as autoridades e funcionários com respeito.

     Hoje, quem ler o novo Estatuto da OAB vai se surpreender em constatar que os advogados não tem mais deveres, apenas direitos. No máximo, cometem infrações disciplinares. É o maior monumento ao corporativismo já construído.

      O professor René Dotti é da velha escola, e não descartou o valioso dispositivo que todas as democracias modernas preservam tradicionalmente há séculos e que a sua corporação de ofício jogou no lixo. É daí que nascem os Zanins.