TAGUATINGA E ERGA CORPUS (PARTE FINAL).

     Ontem abordei a portaria do juiz da comarca de Taguatinga, que determinava que os advogados deveriam levantar-se quando ele adentrasse a sala de audiências e fiz um paralelo com o que acontece no direito anglo-saxão, contando um incidente que envolveu sete muçulmanos que se recusaram a praticar o mesmo gesto, alegando proibição religiosa do Corão.

     Por curiosidade, decidi investigar um pouco o assunto e apurei que nos EUA também já aconteceu fato semelhante, e foi notícia, porque habitualmente esse assunto é apenas discutido através de chats da internet. No caso, envolveu uma mulher somali acusada de canalizar dinheiro para o terrorismo, que também pretextou proibição religiosa.

     De fato, segundo as tradições muçulmanas, levantar-se em sinal de respeito é devido apenas ao Único Deus, Alá, e esse respeito não pode ser compartilhado com mais ninguém (https://islamqa.info/en/20243). Tampouco é permitido aos muçulmanos  demonstração de respeito reverencioso a qualquer bandeira ou hino, de acordo com o mesmo site.

    Entretanto, e é aqui que as convicções se relativizam, tudo depende de circunstâncias: em matéria publicada em seu blog, o jornalista americano Bob Collins apontou que, há poucos anos, em uma solenidade de juramento para obtenção da cidadania americana, todos os presentes se levantaram, sendo a maioria deles muçulmanos somalis, segundo informado. Veja-se a foto respectiva da solenidade:

juramento de cidadania nos eua por muculmanos

(http://blogs.mprnews.org/newscut/2011/10/on_refusing_to_stand_for_a_jud/ ).

    É bom lembrar,  esse juramento é prestado diante de um juiz. Provavelmente, os sete muçulmanos da juíza Mellanby, se tinham cidadania britânica, também levantaram para saudar a bandeira e a constituição, diante de um juiz inglês e o seu gesto na Corte teve motivação política e não religiosa.

     Como bem poderia dizer um americano a respeito desse assunto de “all rise”,  what’s the big deal?