A PRONÚNCIA “ADEVOGADO”

 

     De vez em quando ouve-se a palavra “advogado” com a pronúncia “adevogado.” Muitos advogados, inclusive pronunciam sua profissão desta maneira, o que, por vezes, é causa de chacotas. Entretanto, nada na língua é desprovido de sentido e há uma explicação bastante razoável para que não se encare preconceituosamente essa pronúncia que aparenta pobreza vocabular e falta de instrução.

   Linguisticamente, este é um fenômeno chamado metaplasmo por adição, mais especificamente anaptixe, que consiste no acrescentamento de uma vogal com o objetivo de desfazer um grupo consonantal, no caso,”dv”, que é frequente em nossa língua, como pneu (peneu), ignorante (iguinorante), advinhar (adivinhar), admirar (adimirar) etc. (http://www.filologia.org.br/xvii_cnlf/cnlf/12/04.pdf).

     Isso ocorre porque no português brasileiro, não há consoantes mudas e o recurso de inserir uma vogal em encontros consonantais funciona como destravamento silábico, que facilita a articulação das sílabas, com economia respiratória, recuperando o padrão silábico CV (consoante + vogal), de acordo com o linguista MARCOS BAGNO (Gramática Histórica – do Latim ao português).

     Desta forma, não há nada de errado com a pronúncia “adevogado” ou “adivogado”, porque a dinâmica da nossa língua brasileira consegue resolver essas dificuldades fonológicas com muita naturalidade. Quando fazemos a crítica a essa pronúncia, estamos sendo vítimas da hipercorreção, como eu mesmo estou sendo vítima neste momento do corretor de texto do Word.