O ADVOGADO ALTERNATIVO

            Essa memória é de lascar e deve ser contada fielmente para manter todo o seu sabor. Aconteceu há muitos anos, em uma comarca próxima da capital, para onde foi promovido um magistrado que fez história pela dureza com que compreendia o direito Penal. Para ele, o direito Penal era uma espada. Os advogados, naturalmente, consideravam um mau agouro quando um processo criminal era distribuído para a sua vara. Então, esse magistrado chegou na comarca e já foi se inteirando da vagabundagem, levantando a ficha de todo mundo, descobrindo quem era quem. Havia na região um certo estelionatário que era conhecido por sua ininterrupta atividade golpista, até que um dia foi parar nas mãos do colega em questão. Seu advogado, uma ótima pessoa, tinha uma maneira pouco ortodoxa em sua apresentação: usava cabelos compridos, presos num rabo-de-cavalo e usava roupas informas, com a camisa desabotoada nos botões superiores. Na audiência de interrogatório (naquela época, o interrogatório era o primeiro ato do processo), o advogado compareceu  com seu estilo alternativo e o estelionatário compareceu como todo estelionatário que se preza, vestido de terno e gravata.

       O magistrado olha para os dois, encara o advogado e diz: “Já te conheço, vagabundo, vem cá e me conta tudo direitinho!“. No susto, o advogado respondeu: “doutor, eu sou o advogado, o vagabundo é ele.”

               Fim da história.