CHICO XAVIER E A LOIRA DE OLHOS NEGROS

     Recentemente escrevi uma matéria intitulada “Caras Psicografadas e prova Judicial – o Caso Chico Xavier”, na qual relatei uma fraude envolvendo esse médium, com a materialização de um fantasma.

    Agora, a Revista Superinteressante publica um artigo com o título “Inteligência artificial pôs à prova psicografia de Chico Xavier” (http://super.abril.com.br/historia/inteligencia-artificial-pos-a-prova-psicografia-de-chico-xavier/ ), na qual relata um experimento realizado pela empresa Stilingue, que trabalha com análise de textos via inteligência artificial para “resumir a internet”, encontrando tendências nas redes sociais, resolveu testar como as obras psicografadas seriam analisadas por uma técnica de aprendizado de máquinas chamada Deep Learning.

     Esse software consegue recriar um estilo literário desde que tenha a sua disposição textos de um determinado autor com no mínimo um milhão de caracteres (“apenas para esquentar”).

     Segundo a revista, o computador conseguiu imitar o estilo de Shakespeare, depois de ter acesso a muitos milhões de caracteres de sua obra.

   Como Chico Xavier deixou 412 livros escritos, foram selecionados três de seus principais autores psicografados: Emmanuel, André Luiz e Humberto de Campos.

     Com que propósito?

    O de tentar identificar se os estilos eram diferentes entre si ou se poderiam ser imitados pela mesma pessoa. Basicamente, especular a existência das entidades espirituais que escreviam através dele.

     O resultado identificou três estilos bastante próprios, embora os autores da pesquisa se ressentissem da falta de material adequado de Humberto de Campos. Para verificar se era possível enganar o computador, misturaram os textos e deram autores trocados para o software imitar e o número de erros disparou, de forma que isso demonstrou que os estilos eram realmente diferentes.

    O que  provou esse experimento?

   Nada. E nem poderia, já que pesquisadores admitem que um mesmo autor, cuja obra é analisada ao longo dos anos, também pode apresentar variações que são interpretadas com um grande número de erros. O mesmo, penso eu, pode-se dizer da obra de um pintor, dos seus primeiros trabalhos a sua fase final.

    Além disso, é evidente que outros ramos da ciência poderiam muito bem explicar essas diferenças de estilos, como a neurologia, a psiquiatria, etc., ou mesmo a simples capacidade de imitação.

    Recentemente, o escritor John Banville, a convite dos herdeiros de Raymond Chandler, escreveu um romance noir com o pseudônimo de Benjamin Black, com o Título “A Loira de Olhos Negros” ( Ed. Rocco, 2014), no qual imitou o estilo de Raymond Chandler, criador do detetive Philip Marlowe. Fez o trabalho com perfeição, com elogios de toda a crítica. Recriou de tal forma o estilo do autor que é difícil diferenciar um do outro.

      É que no caso de Chico Xavier, o que me incomoda é a foto abaixo:

chicojoin

Um comentário sobre “CHICO XAVIER E A LOIRA DE OLHOS NEGROS

  1. Realmente, Hélio, esse negócio de alma, psicografia, inteligência artificial e outras tantas bagatelas assemelhadas têm de tudo para confundir tudo e todo o mundo… Finalmente, cada um acredita no que lhe convém ou no que lhe pode trazer algum benefício pessoal, mesmo que imaterial, no seio de seu grupo de convivência…. Conveniências! Cada um acredita no que bem quiser!

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