O ADVOGADO MARQUETEIRO DE LULA QUE FALA INGLÊS

     Lula contratou um advogado marqueteiro britânico para representá-lo na ONU e o cidadão hoje já disse que “a justiça brasileira é totalmente parcial” (http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,defensor-de-lula-na-onu-ve-condenacao-inevitavel,70001960131), e deu como certa a condenação de Lula da 2a. Instância.  Só não acrescentou nenhuma razão para justificar seu argumento. O súdito do Império Britânico já disse que só há verdadeira justiça nas instâncias internacionais, uma forma de achincalhar com o  orgulhoso Judiciário do seu próprio país.  Se perguntarem para ele, vai dizer que não foi isso o que ele quis dizer, que a Inglaterra tem Justiça verdadeira, mas acho que Paulo Maluf, que foi condenado pela Justiça Britânica, não deve ter a mesma opinião da justiça daquele país e por certo, também só acredita em cortes internacionais.  Que novidade!

     O que não faz uma procuração bem azeitada! Possivelmente o conhecimento desse causídico acerca de nossa nação não deve ir muito além do nome de nossa capital, e , com certeza, não tem a menor ideia da dimensão do envolvimento de seu novo cliente do terceiro mundo com o esquema de corrupção do qual participou ao longo de seu reinado tropical.  Eu gostaria de saber a sua opinião se a classe política de seu próprio país tivesse subtraído dos cofres públicos mais de 42 bilhões, só na Petrobrás (http://www.valor.com.br/politica/4313280/desvios-de-dinheiro-na-petrobras-podem-chegar-r-42-bilhoes-diz-pf)! Sem contar os envolvimentos multibilionários da  OAS, Mendes Júnior, Galvão Engenharia, Constran (UTC),  Odebrecht, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e Queiroz Galvão, sem esquecer a JBS.

     Seria realmente instrutivo para todos nós conhecer a opinião de um advogado tão ilustrado em direitos humanos num contexto assim e não tomando seu chá das 4 com leite ou limão, dependendo do chá, naturalmente.

     Isso aí tem um nome: arrivismo jurídico baseado na intimidação. Todo sujeito que desqualifica uma justiça nacional e cria uma fantasia de “justiça verdadeira de organismos internacionais” está desempenhando um papel. É apenas uma forma sofisticada ganhar dinheiro com a advocacia e notoriedade, nada mais do que isso. o Sujeito sabe muito bem que está colocando a carroça na frente dos bois.

     O cidadão  cita o comentário do presidente do TRF4, des. Thompson Flores de que a sentença do juiz Sergio Moro foi “irretocável”, “irrepreensível”, como prova dessa parcialidade, mas esqueceu-se de contextualizar o comentário do desembargador, que se referia ao aspecto técnico da sentença e o mais importante, esqueceu-se me mencionar que ele não integra a Câmara que vai julgar o Recurso. Isso é tudo o que ele tem dizer a uma corte internacional?

    O juiz Sergio Moro ao responder à ONU, foi curto e preciso: enquanto couberem recursos dentro do judiciário brasileiro, é descabido falar em ONU e em organismos internacionais.

    Esse advogado, curiosamente,  já deu algumas entrevistas  repetindo o mantra daqueles que são contra a Operação Lava-Jato: cita prisões preventivas para forçar delações…. isso não lembra a fala de um certo ministro? diz que delações são prática medieval…. também não soa familiar? e afirma que o Juiz Sérgio Moro é imparcial… O homem sabe a cartilha de cor e salteado!

    Discursa como advogado especialista em direitos humanos, vindo do nobilíssimo Reino Britânico e cai de pára-quedas num mundo que ele não compreende, que tem uma história que ele desconhece e se arroga o direito de criticar a parcialidade da justiça brasileira, justamente no momento em que ela está prestando o maior serviço à causa da Justiça.

     O que está por trás de toda essa arenga é uma coisa bastante óbvia: quanto maiores as evidências do crime – e a possibilidade de confirmação da sentença – maior deve ser o vozerio e o esperneio contra contra um resultado que é esperado porque é perfeitamente natural e plausível que assim seja. Toda essa pantomima de ONU e advogado britânico (para desconsolo dos advogados brasileiros, que pelo jeito não sabem falar inglês) serve apenas para apresentar como bizarro aquilo que é juridicamente esperado, especialmente se fosse no Reino Unido, onde, aliás, tenho convicção de que o acusado já teria sido condenado anos atrás, no processo do Mensalão.

    Que Lula possa se achar inocente é direito dele, mas dizer que é vítima de perseguição judicial, aí só pra inglês ver!

2 comentários sobre “O ADVOGADO MARQUETEIRO DE LULA QUE FALA INGLÊS

  1. Helio, tenho visões, concepções, percepções e posições divergentes, em relação a esta tua reflexão sobre a justiça brasileira, casos do Moro, “lava jato”, “mensalão” e outras circunstancias e contextos similares… Assim como em relação ao que falas do advogado inglês que o Lula contratou e outros somenos… Ainda te contarei casos que eu mesmo tive aqui em Fpolis com a nossa justiça – Casos com a Top Car-BMW, ITAUCARD e TIM Celular – que penso que nos permitirão repensar severamente melhor sobre tantos quipricós, justiça brasileira e seus abusivos desprezos e desrespeitos aos direitos republicanos e constitucionais dos brasileiros…

    • Caro Gerônimo: é um prazer saber que estás lendo meus artigos. Eu também tenho um medo danado da Justiça. Mas acho que a Justiça não desrespeita nossos princípios republicanos e constitucionais; pelo contrário. Entretanto, quando o cidadão submete seus interesses ao escrutínio de terceiro, coisas estranhas podem acontecer. E não é só na Justiça, é em todos os quadrantes de nossa vida cotidiana. A Justiça chama a atenção porque é um valor universal. Leia, comente, e critique, tudo aqui será aprovado.

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