O CASO DO BESTIALISMO MAL-SUCEDIDO

    Faz uns 13 anos, na Vara Criminal de uma Comarca do Vale do Itajaí, presidi a instrução de um processo cuja tipificação já não recordo exatamente, talvez maus-tratos a animal, furto, ou ambas as condutas.

     O fato é que um sujeito, adepto do bestialismo, ou zoofilia (que pode virar crime, se for aprovado o Projeto de Lei n. 3141/2012), estava encantado por um pônei que pertencia a uma garotinha da região. Certo dia, aproveitou-se das circunstâncias e levou o bicho para um matagal e amarrou-o pelos arreios a uma bananeira que ficava na beira de um barranco. Ato contínuo, despiu-se e não se sabe porque motivo, cobriu a cabeça do animal com as suas cuecas. Provalmente, era entendido em cavalos.

    Quando deu vazão a sua luxúria, o animal não gostou nem um pouco e começou a sacudir-se e escoicear. Na refrega, como o bestialista não desistisse e o animal tampouco cedesse, quem cedeu foi a bananeira e os três foram aos trambulhões rolando o longo barranco abaixo. O leitor fique livre para imaginar a cena.

   No fim das contas,  quem levou a pior foi o pônei, pois preso à bananeira, que ficou incontrolável na descida, acabou quebrando o pescoço e foi encontrado ainda com a cueca sobre a cabeça.

   O agente foi visto fugindo todo estropiado mato adentro e preso horas depois. No seu interrogatório, o sujeito, baixinho e franzino, admitiu para mim que a cueca, apreendida nos autos,  lhe pertencia.

     Fim da história, que como outras histórias forenses, se não for contada, será esquecida.

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