A OCASIÃO FAZ O LADRÃO

Noticiou o Jornal El País, edição espanhola, que um negócio milionário foi desbaratado pela polícia nesta semana. Era o comércio de ataúdes de segunda-mão, uma prática que vinha sendo praticada há longos anos na cidade – o lucrativo negócio iniciou-se em 1.985. A empresa em questão trabalhava no ramo das cremações e enterros. Para mim, nem é preciso acrescentar mais nada, mas para ser fiel com a notícia, os proprietários, que forneciam o serviço funeral completo, vendiam caixões de alto custo, valendo-se da fragilidade emocional dos parentes nessas ocasiões,  e depois que se baixava a cortina na cerimônia e o corpo era levado para o seu processamento final,  simplesmente despejavam o morto de seu luxuoso caixão e o enfiavam dentro de outro,  muito ordinário e levavam o conjunto ao forno (https://elpais.com/politica/2019/01/31/actualidad/1548924925_259545.html). Essa parte dolorosa da cerimônia, como se sabe, é conduzida apenas pelos funcionários da casa. Os parentes e amigos estão já do lado de fora para ver a revoada de pombos e a fumaça subindo pela chaminé. O caixão requintado, esse era novamente colocado na vitrine, imagino, pois ninguém vai sai por aí olhando vitrines de casas funerárias, de modo que não há o receio de que o sarcófago fosse reconhecido, e, é claro, seria muito fácil convencer de que se tratava de outro exemplar.

Os lucros do negócio ainda abrangiam, é claro, a reutilização das coroas de flores deixadas pelos familiares em outros velórios, e por que não?

Segundo a notícia, o número de detidos na operação policial chega a vinte e a empresa possui 5 estabelecimentos e outros 3 em construção. Os lucros desse negócio macabro correspondem ao preço do caixão de luxo, revendido pela mesma empresa, tantas vezes quantas fosse adquirido para cremação, até que alguma família desejasse enterrar o morto nele. Na casa do proprietário foi encontrada a quantia de 1 milhão de euros em dinheiro vivo (https://elpais.com/politica/2019/02/01/actualidad/1549021839_637511.html)

Informa-se, também, que na Espanha, o custo de um caixão fica entre 600 e 2,500 Euros, então pode-se imaginar o tamanho do lucro.

Seja como for, a menos que haja fotografias ou filmagens dessa atividade, a mera denúncia de um ou mais funcionários (demitidos) dificilmente vai provar alguma coisa, pois, em princípio, a prova foi destruída pelas chamas. Ainda assim, várias pessoas foram presas,o que indica que a coisa é meio escabrosa.

O fato é que, se é verdadeiro o ditado que afirma que “caráter é o que você tem quando ninguém está olhando“, aí está um tipo de crime que tem um forte componente motivacional.

A melhor solução para evitar desgostos seria a viúva avisar que vai  levar o caixão para casa, como recordação. E as flores, revender na floricultura fúnebre ao lado, por uma quantia módica.

4 comentários sobre “A OCASIÃO FAZ O LADRÃO

  1. Beleza, a tua solução, Hélio! Mas eu tenho outros pontos de vista. Há algum tempo, Hélio, quando fomos enterrar um Amigo comum, pois, sei que Tu o conhecias, a Mãe do morto e outros parentes e Amigos, de certo modo me nomearam o Mestre de Cerimônia daquela dolorisa situação de cremação, no dito Vaticano, em Camboriú. Tudo feito e acabado com as fumaças, flores e pombos eu me interroguei: Mas, e as cinzas? Daquele cadáver de nossas preferências?! E me perguntei, mas, será que seriam, mesmo, as cinzas de Meu Amigo?! Alguém viu, alguém acompanhou a cremação?! Entregam as cinzas imediatamente?! Ou, quando as entregarão? E serão as de nosso defunto ?! Enfim, Hélio, para além do que fazem com o caixao, coroas, roupas e calçados do defunto, esse negócio de cremação é honesto?! Com as minhas destacadas dúvidas me impus a busca de, em próximo caso pedir para ver, de fato e com alguém a efetiva cremação, para ter certeza das cinzas e ver o que fazem desse tipo de espólio. Lembrei-me de questionar a um juízo para ter disto tudo, certeza e exigir que isto seja regulamentado com o devido cuidado. Pois, Hélio, além do caso da Espanha já houve caso semelhante nos EUA e no meu ponto de vista isto requer mesmo acompanhamento e fiscalização rigorosa. Sob pena das ações não contratadas dos bandidos destas ocasiões que já se conhece há muitos anos…

  2. Ou dispensar o caixão e colocar o defunto sobre um leito ornado. Depois, poderia ser cremado em uma caixa de papelão, se fosse mais barato. Pra quê caixão se não haverá enterro?

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