UM JURIDIQUÊS DESINTEGRADO

UM JURIDIQUÊS DESINTEGRADO

Temos, abaixo, um notável espécime de juridiquês, daqueles de nos deixar de queixo caído, de roer as unhas de inveja por não ter sido capaz de nunca na vida ter produzido nada semelhante.  Mas quando a gente consegue, a muito custo, se livrar do seu encantamento magnético, aos poucos se forma a pergunta:  que diabo é isso? Que fique registrado de minha parte, isso não desmerece o autor de uma comenda judiciária!

Com espia no referido precedente, plenamente afincado, de modo consuetudinário, por entendimento turmário iterativo e remansoso, e com amplo supedâneo na Carta Política, que não preceitua garantia ao contencioso nem absoluta nem ilimitada, padecendo ao revés dos temperamentos constritores limados pela dicção do legislador infraconstitucional, resulta de meridiana clareza, tornando despicienda maior peroração, que o apelo a este Pretório se compadece do imperioso prequestionamento da matéria alojada na insurgência, tal entendido como expressamente abordada no Acórdão guerreado, sem o que estéril se mostrará a irresignação, inviabilizada ab ovo por carecer de pressuposto essencial ao desabrochar da operação cognitiva .(http://www.direitolegal.org/seus-direitos/o-juridiques-e-linguagem-juridica/#_ftn2)

O que está escrito aí acima é patológico, me desculpe o seu autor, e é que não não se. Vamos fazer, então, a “profilaxia jurídica” do texto. Tudo o que está dito no parágrafo em questão pode ser resumido assim:

Com base no referido precedente, que não garante o contencioso de forma absoluta, como o recurso não prequestionou a matéria tratada na decisão recorrida, não deve ser conhecido.

Se é que entendi bem!

Agora, tenho certeza de que o eventual leitor dessas linhas, se comparar os dois parágrafos, vai achar o meu excessivamente pobre e monótono. E acho que, no fundo, ele tem razão, pois o trecho original nos enche de satisfação, é um bálsamo para um espírito atormentado na faina diária de um “operador” do direito. Porque é um parágrafo realmente espetacular! É harmônico como uma sinfonia, sem uma nota dissonante. É quase erótico. E integra um documento público que o pobre coitado do ignorante cidadão comum vai ler, ávido por entender a razão pela qual perdeu o processo.Quando ele desistir, vai perguntar para o seu advogado, que talvez, a essa altura, já tenha interposto os justíssimos embargos declaratórios!

Para encerrar, lanço ao curioso que tiver acessado esta página, o desafio de reduzir pela metade a minha “versão” do texto original, sem perda de significado e compreensão. Adianto que é perfeitamente possível.

4 comentários sobre “UM JURIDIQUÊS DESINTEGRADO

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